segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Retratar


A vida é mesmo pontilhada de sentimentos tantos, que oferecem resultados tantos,
de medos e alegrias bailando no tablado da existência,
de encontros curtos, mas que sempre deixam algum rastro, de esperanças longas, mas que algum dia chegam ou se perdem.
De buscas incessantes, que algum dia terminam, de cavernas escuras, que em algum momento nos expulsam, de sol escaldante, mas que em alguma hora é tolhido por nuvens escuras de um aguaceiro, de ambições vorazes, que perecem depressa, muros fendidos, que um dia são reerguidos, ou completamente arruinados.
De sombras sorrateiras, que com o sol se desfazem, de jardins profusos, que viram folhas secas num outono qualquer, de alegrias esfuziantes, que podem redundar em lágrimas sentidas, de instantes perdidos, achados logo adiante, ou perdidos para sempre.
De mares revoltos, que se acalmam de repente, de felicidade incontida, que termina no túmulo.
De desertos escaldantes, que a noite congelam, de refletidas lágrimas por promessas não cumpridas,
De belezas juvenis, que redundam em rugas marcadas, e perfumes adocicados que desaparecem com o tocar da brisa.
Mas de fé, que a Deus representa, e esse não desencanta, não foge, não sucumbe, não falha, jamais abandona, nunca muda,
Que fez a vida um portal de liberdades, mas que ao fim chama o homem ao juízo,
A vida é linda, mas não obriga-nos a medir nossas palavras, a escolher nossas atitudes, nem regar nossas sementes, ou cumprir com fidelidade nossos juramentos.
Para quem passa sem ver as flores da primavera, desperta sempre quando estas já murcharam, mas se folhas secas podem ter beleza, também podem ter uma história, há beleza escondida em cada detalhe não contado, basta apenas olharmos com mais atenção nuances imperfeitas.
Talvez a deformação não esteja na paisagem, mas nas nossas lentes pessoais, se os nossos olhos estiverem nublados, deformarão toda a beleza à nossa volta.
Sempre é mais feliz, quem dentro das grandezas, alimenta os detalhes, quem da grandeza da sabedoria, cultiva a humildade.
As escolhas são nossas, a semeadura é nossa, a colheita embora algumas vezes desagradável, é eternamente nossa.
Judite Araujo.

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