quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O VALOR DE UMA OPORTUNIDADE

Quanto valor tem a oportunidade que muda o curso da existência ?
não aquela que vem e vai a todo instante,
mas aquela pela qual se espera toda uma vida.
Como a que vislumbrou Bartimeu o cego na beira do caminho,
a viu com os olhos do entendimento, rompantes de coragem,
gritou por ela, não a podia desperdiçar, embora os transeuntes ao seu redor tenham tentado debalde desiludi-lo, querendo calar seu grito, abafar sua esperança, negar seu esforço.
Bartimeu valeu-se da fé, ancorou-se na compaixão de um desconhecido, aproveitando suas energias, ansiedades, e gritos para chamar-lhe a atenção.
Houve um ligeiro, mas significativo silêncio... Alguém caminhava em sua direção e penetrava a escuridão daqueles olhos perguntando: QUE QUERES QUE TE FAÇA?
Poderia pedir tanto e pedir tudo, mas no valor, no ardor, nos sonhos engavetados daquele velho coração, apenas uma musica se ouvia: ver, ver, ver.
Os olhos divinos enxergam olhos sem luz, apenas a doçura daquela voz dizendo VÊ!!
QUANDO O CEGO OS ABRE, VIU EXTASIADO O ROSTO NAZARENO, queimado das jornadas, olhos meigos e rasos, que lhe davam bem vindo a cor, a profusão da vida, ao convite para sorver a sua oportunidade.
Poderia fechar seus novos olhos mil vezes, sempre os abriria para ver a imagem do belo , do doce, do sublime olhar de seu benfeitor, sua primeira visão.
Poderia cair de joelhos aos seus pés toda sua vida restante, e o faria com gosto, se ainda o visse outra vez, mas diziam todos: foi a última vez que ele passou por aqui.
Foi bom estar no caminho aquele dia, valeu a pena gritar daquele jeito, valeu a pena lutar contra a incredulidade e crer no inviável.
Guardado a anos, no baú de sua alma, estava seu alabastro precioso,
não casara, não amara, todos a julgavam, pensando não ter ela nada de valor, mas toda mulher é um céu de segredos, e ela entra sorrateira entre os hóspedes do salão, e ajoelha-se a seus pés, achara o lugar, o fiel depositário de suas esperanças, derrama sobre aqueles pés com as ânsias da alma, suas dividas, seus medos, seus anseios, seus sonhos todos.
Ah, os olhares a recriminavam, a julgavam,mas ELE apenas a observava, e recebia o afago como quem ganha a maior das honras.
Quem a instruiu? quem a discipulou para aquela atitude?
Ela apenas viu uma janela aberta, acenando-lhe de longe, as mãos de sua oportunidade, e a segurou com as suas mãos urgentes,
Sua alma ansiava sorver a carícia do perdão, e lhe é dado a resposta para todos os seus questionamentos.
Lágrimas de toda uma vida, guardadas no silêncio de tantos desprezos, caindo quentes nos pés daquele amado, como poderia enxugá-las suavemente, sem pressão?
Seus cabelos caem sobre eles como resposta.
Oportunidade que nasce uma vez, se desperdiçada, jamais retorna.
A mulher sai dali, levando impregnada nas mãos o perfume do alabastro, e na alma o perfume do amor do seu honroso salvador.
A fraqueza do seu corpo era aterradora, mas sua vontade era férrea, tudo gastara, tudo lhe faltara, a esperança estava por um fio, os favores do dinheiro, nada lhe ajudaram, apenas desilusões e a vida esvaindo-se como uma sombra sorrateira.
Receitas, conselhos, remédios, nada sanava aquele mal terrível.
Mas o barulho da multidão despertou sua letargia, e num último empenho, ela se arrasta, desafiando os ditames da lei, desejosa pela cura, sai do casulo da vergonha e da desventura, na fé de não ser descoberta. Mas debalde, ao tocá-lo, uma onda de calor percorre todo seu corpo, revigorando as energias perdidas.
ELE pára e pergunta QUEM ME TOCOU? E AGORA O QUE FAZER?
Poderia morrer ali mesmo ao apertar da multidão, mas havia um canto brotando em sua alma, havia uma alegria saltando dos seus olhos, ao sentir estancada sua hemorragia, ela sabia, ela sentia.
Poderia perecer, mas morreria feliz e curada.
Quando ELE a olha, há tanta doçura no que vê, que apenas pode confessar: Fui eu.
Sem recriminações, Ele APENAS SORRI SUAVEMENTE E DIZ: VAI, ESTÁS CURADA DO TEU MAL.
A noite caiu sobre a cidade, e um cego, uma prostituta e uma mulher enferma, rememoram o doce momento do encontro com a oportunidade que mudou suas vidas.
A Deus a honra e a glória.
( Judite Araujo).

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