MEU DUAS VEZES
O menino passou muito tempo reunindo material necessário para construir aquele projeto, "um barquinho", mas o queria tão perfeito que ao vê-lo todos pudessem gostar.
Sempre depois da escola, lá estava ele compenetrado em sua mais nobre criação, e a cada dia o barquinho tomava forma.
Um ano se passou, e enfim sua obra prima ficou pronta, seu barquinho luzia ao sol secando a últimademão de tinta verniz.
Contemplando com orgulho o belo e exímio trabalho, não via a hora de levá-lo à beira do riacho e testá-lo, se bem que por antecipação, considerava-lhe um sucesso.
Nem dormiu naquela noite, ao longe trovões ressoavam como um presságio ruim, mas não lhe abalou a fé. Sim, seu barquinho estava guardado, seguro e lindo, pronto para ser estreado na manhã florida.
Nem bem o dia raiou, o menino pega o barquinho e sai sorrateiro para a margem do rio, - coloco ou não na água? parece que vai chover! deixo para amanhã?
pensando assim com zelo quase absurdo pela bela aquisição, não reparou nas grossas nuvens ao redor. Mas seria tal desatino, levar tanto tempo envolto no preparo e não testar seu invento, .... Por fim, vencido pela curiosidade própria de menino, aproxima-se da orla do rio e com um suspiro de prazer e contentamento, solta o barquinho.
Grossos pingos d" água, absurdam seus olhos, por um momento de distração, contempla o céu enegrecido e esquece do barquinho, sabendo que não daria tempo de brincar pois a chuva torrencial o surpreendeu no momento....
Um pensamento lhe consome: "salvar seu barquinho", mas o temporal caiu sem pena, e ele apavorado, corre na beirada do rio, para pegar o barco que era levado com velocidade pela torrente de água e lama.
- Meu Deus- chora angustiado o menino, - meu barco, meu barquinho.....
Tarde demais, a água veloz como um pensamento, levava seu barquinho para mais e mais longe.... procurou um galho, mas não conseguia mais puxá-lo, dançando inocente no vai e vem da corrente, vai-se o barquinho sem deixar vestígios de seu destino.
Olhando incrédulo, o menino soluça sacudindo o corpo magro, e balbucia entre dentes: adeus meu barquinho, adeus, Deus te guie.
Volta para casa cabisbaixo e silencioso, fecha após si a porta, e rememora cada hora, cada dia, minuto após minuto, empregados na preparação.... bem no fundo um filete de esperança, foi engavetado, mas para ninguém mais falou sobre o barquinho.
Dez anos se passaram, e não havia um dia que não lembrasse daquele acontecido, ... o barquinho de madeira, levado pela chuva.
Mudou de cidade, para bem distante, e um dia no fim da tarde, contempla uma vitrine, que como por encanto lhe prende a atenção. - ! Não! não podia ser!?
-aquele barco de madeira na vitrine era o seu! o seu barquinho! mas como?
não fora destruído pelas águas? Sentiu uma emoção sem medida invadir seu peito. Sem pestanejar, entra e pergunta ao vendedor: -Quanto custa esse barquinho?
- duzentos dólares!
_ muito caro, pensou o adolescente, quase homem! mas saiu dali determinado.
Dobraria seus turnos de trabalho, faria hora extra com seu pai, para conseguir aquele dinheiro, e assim o fez. Trabalhou e trabalhou, indo todo dia namorar o barquinho na vitrine, com uma silente oração: ..." não permita Deus que alguém o compre antes de mim."
De posse do valor o jovem encaminha-se para o balção e diz: - por favor, quero comprar aquele barquinho!.
O vendedor conta o dinheiro, e entrega-lhe o barco, com satisfação.
Na rua, o garoto pára, abraça o barco demoradamente e diz:
"UM DIA FOSTE MEU, PORQUE TE FIZ, HOJE ÉS MEU SEGUNDA VEZ, POIS TE COMPREI."
E nós? um dia emoldurados da poeira dos anos, pelas mãos ágeis e peritas do Criador, fomos construídos em amor , dedicação e esmero. mas veio o sagaz tentador e lhe demos ouvidos, e ele com artimanhas tais nos afastou para longe e mais longe do nosso protetor..... Mas o tempo passou, e de uma promessa guardada no coração de Deus, nasceu Jesus, que veio e morreu, consumando o desejo de Deus em nos adquirir segunda vez. Pelo sangue santo, limpo e puro Jesus nos comprou outra vez, e Deus de posse de nossa vida, derrama seu amor, seus dons e talentos nos tornando úteis, úteis para seu reino e honra, a fim de sermos portadores de sua glória.
Mais que um barco valemos nós, mas que qualquer dinheiro desta terra perecível, pois não foi com ouro ou prata que nos comprou, mas com o preço da renúncia, pelo seu sangue, nos fez herdeiros, sim com ele herdeiros outra vez, da glória imarcescível, que nos espera, reservada para aqueles a quem um dia tomou das misérias, e reedificou como um templo, um templo novo, onde o louvor irrompa, pois Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.
(Nova adaptação de Judite Araujo).
O menino passou muito tempo reunindo material necessário para construir aquele projeto, "um barquinho", mas o queria tão perfeito que ao vê-lo todos pudessem gostar.
Sempre depois da escola, lá estava ele compenetrado em sua mais nobre criação, e a cada dia o barquinho tomava forma.
Um ano se passou, e enfim sua obra prima ficou pronta, seu barquinho luzia ao sol secando a últimademão de tinta verniz.
Contemplando com orgulho o belo e exímio trabalho, não via a hora de levá-lo à beira do riacho e testá-lo, se bem que por antecipação, considerava-lhe um sucesso.
Nem dormiu naquela noite, ao longe trovões ressoavam como um presságio ruim, mas não lhe abalou a fé. Sim, seu barquinho estava guardado, seguro e lindo, pronto para ser estreado na manhã florida.
Nem bem o dia raiou, o menino pega o barquinho e sai sorrateiro para a margem do rio, - coloco ou não na água? parece que vai chover! deixo para amanhã?
pensando assim com zelo quase absurdo pela bela aquisição, não reparou nas grossas nuvens ao redor. Mas seria tal desatino, levar tanto tempo envolto no preparo e não testar seu invento, .... Por fim, vencido pela curiosidade própria de menino, aproxima-se da orla do rio e com um suspiro de prazer e contentamento, solta o barquinho.
Grossos pingos d" água, absurdam seus olhos, por um momento de distração, contempla o céu enegrecido e esquece do barquinho, sabendo que não daria tempo de brincar pois a chuva torrencial o surpreendeu no momento....
Um pensamento lhe consome: "salvar seu barquinho", mas o temporal caiu sem pena, e ele apavorado, corre na beirada do rio, para pegar o barco que era levado com velocidade pela torrente de água e lama.
- Meu Deus- chora angustiado o menino, - meu barco, meu barquinho.....
Tarde demais, a água veloz como um pensamento, levava seu barquinho para mais e mais longe.... procurou um galho, mas não conseguia mais puxá-lo, dançando inocente no vai e vem da corrente, vai-se o barquinho sem deixar vestígios de seu destino.
Olhando incrédulo, o menino soluça sacudindo o corpo magro, e balbucia entre dentes: adeus meu barquinho, adeus, Deus te guie.
Volta para casa cabisbaixo e silencioso, fecha após si a porta, e rememora cada hora, cada dia, minuto após minuto, empregados na preparação.... bem no fundo um filete de esperança, foi engavetado, mas para ninguém mais falou sobre o barquinho.
Dez anos se passaram, e não havia um dia que não lembrasse daquele acontecido, ... o barquinho de madeira, levado pela chuva.
Mudou de cidade, para bem distante, e um dia no fim da tarde, contempla uma vitrine, que como por encanto lhe prende a atenção. - ! Não! não podia ser!?
-aquele barco de madeira na vitrine era o seu! o seu barquinho! mas como?
não fora destruído pelas águas? Sentiu uma emoção sem medida invadir seu peito. Sem pestanejar, entra e pergunta ao vendedor: -Quanto custa esse barquinho?
- duzentos dólares!
_ muito caro, pensou o adolescente, quase homem! mas saiu dali determinado.
Dobraria seus turnos de trabalho, faria hora extra com seu pai, para conseguir aquele dinheiro, e assim o fez. Trabalhou e trabalhou, indo todo dia namorar o barquinho na vitrine, com uma silente oração: ..." não permita Deus que alguém o compre antes de mim."
De posse do valor o jovem encaminha-se para o balção e diz: - por favor, quero comprar aquele barquinho!.
O vendedor conta o dinheiro, e entrega-lhe o barco, com satisfação.
Na rua, o garoto pára, abraça o barco demoradamente e diz:
"UM DIA FOSTE MEU, PORQUE TE FIZ, HOJE ÉS MEU SEGUNDA VEZ, POIS TE COMPREI."
E nós? um dia emoldurados da poeira dos anos, pelas mãos ágeis e peritas do Criador, fomos construídos em amor , dedicação e esmero. mas veio o sagaz tentador e lhe demos ouvidos, e ele com artimanhas tais nos afastou para longe e mais longe do nosso protetor..... Mas o tempo passou, e de uma promessa guardada no coração de Deus, nasceu Jesus, que veio e morreu, consumando o desejo de Deus em nos adquirir segunda vez. Pelo sangue santo, limpo e puro Jesus nos comprou outra vez, e Deus de posse de nossa vida, derrama seu amor, seus dons e talentos nos tornando úteis, úteis para seu reino e honra, a fim de sermos portadores de sua glória.
Mais que um barco valemos nós, mas que qualquer dinheiro desta terra perecível, pois não foi com ouro ou prata que nos comprou, mas com o preço da renúncia, pelo seu sangue, nos fez herdeiros, sim com ele herdeiros outra vez, da glória imarcescível, que nos espera, reservada para aqueles a quem um dia tomou das misérias, e reedificou como um templo, um templo novo, onde o louvor irrompa, pois Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.
(Nova adaptação de Judite Araujo).

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