Três meninos judeus eram mantidos escondidos no porão de uma casa em Varsóvia, durante os horrores da segunda Guerra,
mas de onde estavam dava para ouvir os bombardeios, que sacudia tudo ao redor, seus pais haviam morrido nos campos de concentração, e eles já haviam ido e vindo de tantos esconderijos, que nem podiam somar.
Aquela vida silenciosa e limitada, sem sol, sem brinquedos e sem liberdade, era uma agonia grande demais, para quem não entendia tanto horror, tanta dor e tanto ódio. Mas uma mão amiga, uma vez por dia, lhes trazia um pedaço de pão e um pouco de água, ao que eles devoravam em poucos segundos, mas longe de saciar, apenas os mantinha vivos.
Não se conheceram antes, mas agora eram obrigados a dividir o pequeno abrigo e as pequenas porções de pão que lhes chegava. Tomara não fossem descobertos, por isso aprenderam forçadamente a viver de silêncio.
O medo, a insegurança e a fome os estava forjando da forma mais cruel. Mas que fazer, senão esperar, viver na esperança de que um dia o sofrimento tivesse um fim?
Mas algo passou com quem lhes trazia pão e água, o dia passou a noite estava quase ao meio, e nada, NESSE DIA NÃO HOUVE A RAÇÃO DIÁRIA, QUE TERIA PASSADO?
Um dos meninos retirou-se a um canto ajoelhou-se pôs as mãos em prece e começou orar baixinho, agradecendo.
Seus dois companheiros tocaram seu ombro e perguntaram: Porque oras e agradeces pelo pão que não veio, estás louco?
Não estou louco, é que temos recebido fielmente pão todos os dias, Deus tem sido bom pai e fiel na responsabilidade, e temos achado tão pouco o pedaço de cada um de nós, que nem temos agradecido pelo que já ganhamos.
- Estou feliz!
- Feliz por faltar o pão? - Estás enlouquecendo com certeza!
- Não veem, não percebem?
Se faltou hoje, significa que a porção de amanhã será MAIOR! Será dobrada!
um sorriso tímido vestiu seus lábios, enquanto voltava-se para a parede continuando sua oração silenciosa.
Calados, seus dois amiguinhos depararam-se pela primeira vez com a Fé, ela os visitava dentro daquele porão turvo.
No dia seguinte ao despertarem do sono inquieto, havia sobre uma mesinha gasta, seis pães, três copos de leite e uma fatia de queijo para cada um Os três se olharam silenciosos, e depois de devorarem com gosto o rico banquete, a velha mulher que os escondera, via pela fresta da porta, três meninos ajoelhados com mãos em prece, balbuciando uma oração de gratidão. Só ela sabia onde havia ido, para conseguir aquele alimento, mas vê-los alicerçando sua fé em Deus, provava que havia dado o passo certo em ocultá-los, apesar dos riscos.
Deus tem sido fiel conosco todos os dias, e nem sempre somos gratos na medida de seu amor e cuidado, e tão logo um dia falte pão, amor, proteção, nos queixamos, mas a mão divina não fica retida muito tempo, apenas nos prova, amanhã a porção será maior, virá dobrada, cheia de esperança, com dobrados milagres. Entrará em nosso esconderijo com toda luz que precisamos para sorrir e nos dessedentar. Toda guerra um dia guerra chega ao fim.
Judite Araujo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário