quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Mamãe me conta uma história.

Mamãe, me conta uma história...
Hoje a tarde na clinica de fisioterapia, sentei-me na recepção enquanto aguardava meu esposo ir buscar-me; um lindo garotinho de uns três anos no máximo, estava sentado logo ao meu lado, seguido de sua mãe, uma mulher de uns trinta anos.
O garotinho muito esperto e conversador tentava a todo custo chamar a atenção da mãe que estava no whatsapp com alguém.
A mulher levantou-se, pegou uma revista de adulto e deu para o menino folhear, sentado, ele começou buscar naquela revista algo que fosse peculiar a sua idade. A forma como o fazia, chamou-me a atenção, fiquei observando seu desempenho.
Quase ao meio, um lindo barco a vela tomava toda a página, o menino parou extasiado com a foto, até eu fiquei olhando aquele barco, fotografia muito bonita.
Ele tocou no braço da mãe duas vezes:
- mãe, mãe, olha que bonito!!
sem tirar os olhos do celular a mamãe sussurrou:
- hurrumm,
- mãe, me conta uma história com isto!
- depois, respondeu ela, ainda no celular,
- mãe, me conta uma história, de barco,
a mulher não resistiu, deixou o celular, e com a sala cheia de pacientes, ela gritou com o filho:
- eu não sei contar história com isso!!
O garotinho respirou fundo, fechou a revista e ficou bem quietinho.
Todos a olharam, mas ninguém disse nada.
Fiquei com pena do garoto, mas mais penalizada por sua mãe, e não querendo julgá-la, pois as mães também erram, pensei que aquela mãe, perdeu uma rica oportunidade de através de sua criatividade, exercitar a criatividade de seu filho.
usando com poucas e simples palavras uma rápida estorinha envolvendo um barco....um pirata...um garotinho... Não custava nada, deixar o celular e atender o filho.
Como gosto de lindas imagens e me inspiram, senti ímpetos de contar ao menino uma história de Jesus num barco..., mas contive-me.
Pelo que ouvi, dá pra saber que ela conta histórias ao filho, senão ele não pediria,
mas como explicar a um menino tão pequeno que a mãe que lhe serve no ambiente doméstico de uma forma, não age da mesma maneira em outro lugar qualquer?
Como entender que uma mãe que tanta ligação afetiva e atuação pedagógica desenvolve com os filhos no dia a dia, nos primeiros anos, não esteja disposta a exercer sua função sacerdotal materna, na clinica, no parque, no mercado? Uma criança pequena não entende. Essa é a fase do me diz, me conta, dos por quês.
Um filho nessa fase nunca espera que seus pais o decepcionem, são capazes de perguntar vinte vezes a mesma coisa sem cansar, porque acham que os pais estão lá para dar-lhes memória, e não só aprendizado e respostas; e o mais interessante, os filhos nessa fase estão convencidos que seus pais sabem tudo. Por isso é difícil um menino aceitar que sua mãe não saiba contar uma história de "barco".
Lembro-me dos anos como missionários na Bolívia, que costumava criar histórias para meus filhos de quatro e seis anos, eles escolhiam um desenho ou imagem, quando não era de cunho bíblico, e íamos criando a história usando em grande parte a criatividade deles, nós os envolvia-mos dentro da história, para que fossem parte do enredo, e familiarizar-lhes com o contexto do momento, e quão divertido era isso pra nós também.
Lembro que contamos toda a história de Moisés conduzindo o povo de Deus pelo deserto, e um dia ela assistiu um filme sobre o assunto, e quando terminou, ela apontou o dedinho e disse:
- têm algumas coisas erradas nisso ai! (eu e o pai dela nos olhamos e começamos rir), sabíamos do que ela falava. (ela tinha quatro anos).
Uma vez, sem tv em casa, demos a ele o farol de um carro, marrado a um fio e uma anteninha, para brincarem, nos sentamos no chão da sala, eles tinham três e cinco anos, já na Bolívia, e começamos a brincar de jornal nacional, Washington era Willian Bonner e eu Fátima Bernardes, kkkkkkk.
E começamos narrar o jornal, eles vidrados na tv de farol de carro, então.... o pai deles começou narrar as noticias do arrebatamento, como se tivesse acabado de suceder, foi incrível!! a reação de todos nós. espanto, risos, novidades, medo, olhos arregalados, eles dando palpites do que falarmos, resultado: acabamos chorando de alegria por descobrir o quanto eles estavam em tão pouca idade inteirados desse assunto, e prontos para subir conosco, caso fosse ali naquele momento.
O exemplo daquela mãe na clínica foi só um entre tantos por ai, na verdade o que me leva a escrever isto, não é censurá-la, também já errei tanto com meus filhos, já tive que pedir-lhes perdão algumas vezes. É despertar junto a vc mãe que compartilha esta mensagem, que despertemos para a riqueza do nosso papel com nossos filhos, se perguntarem sobre qualquer assunto, responda, busque meios, mas não cale, não os deixe sem comunicação. Eles podem calar um dom, um talento, uma criatividade, e não achá-las nunca mais nelas mesmas.
Vc e eu somos mães de plantão, servas em serviço dia e noite. Cansa sim, é claro, mas vale muito a pena.
Somos os grandes amigos dos filhos, pelo menos até a adolescência, kkkkk,
Qualquer "não", descaso ou preferência nessa idade, soa como "rejeição". Deixe seus filhos terem a liberdade de perguntar, de pedir, de enfim exercer seus direitos de filho, ele não fazem isso porque estejam no "lar", eles fazem isso porque estão junto a vc. Pra eles pode o mundo desabar, pode faltar pão, água tudo mais, se seus pais estão junto a eles, então não falta nada.
Os filhos sabem bem antes de nós, que pais não são perfeitos, não é perfeição o que buscam, é disponibilidade.
Abrace seu filho, seja grande ou pequeno, conte histórias, invente-as, ore com eles e por eles, escreva bilhetinhos... Hoje fiz um para cada um dos meus, dizia:
""Seja com a ÁGUIA, firme seu voo acima da tempestade".
Deus nos dê sabedoria e graça.
Judite Araujo.

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