quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Evangelho x Prosperidade

EVANGELHO E PROSPERIDADE

Como está a saúde do Evangelho que pregamos?
Como temos conservado sua verdadeira imagem?
Para onde estamos direcionando seu verdadeiro interesse?
Hoje grande parte dos denominados evangélicos estão saturando o evangelho verdadeiro quando o associam ao supérfluo prêmio terreno. Igrejas abarrotadas, buscando o material dentro do espiritual, incorrendo no grande risco da visão equivocada do evangelho, por culpa de lideres mal formados, que prometem em nome do evangelho aquilo que não é seu compromisso e âmago, resultado, resultado são pessoas indo e saindo das igrejas cada dia mais vazias, porque suas buscas estão equivocadas.
Paulo já advertia; se esperarmos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens (1Co 15.19).
O interesse pelo material dentro do espiritual começou em Judas e lhe foi inserido por satanás (Ez 28),que deturpou-se na multidão do comércio que fazia, embora sem necessidade,(diabo foi o primeiro comerciante de pedras preciosas). Depois em Balaão e posteriormente em Ananias e Safira (At 5).Mas a igreja era jovem e não podia comprar a imagem pregada por Ananias e sua mulher, daí a morte repentina e fulminante dos dois. mas anos depois os resquícios da intenção de satanás se manifestaram em Demas, auxiliar de Paulo, que amando o presente século se vai para suas ambições (2Tm 4.9).
Por isso esses pastores terão maior juízo que implantam essa visão no meio dos seus seguidores, sem deixá-los discernir pelo Espírito a tênue linha que separa essa verdade. A principal visão do evangelho é divina e eterna, e não terrena e material. Ló não a pode discernir, mesmo vivendo com Abraão, e sendo este já evangelizado pelo próprio Deus, visto ter Deus pregado o evangelho a Abraão (Gl 3.8), Olhou as campinas de Sodoma movido apenas pela ambição terrena, embevecido pela visão externa e bela, não mediu os riscos e perigos que haviam por dentro de Sodoma, e quase perde a vida em seus domínios, não fosse a misericórdia e intervenção divina, sua família demonstrou os resultados de sua falta de responsabilidade e conhecimento de Deus. De certa forma o interesse pela aparência de Sodoma gerou sua morte, sua decadência e seu esquecimento e a desmoralização de sua família, ultrajada na péssima escolha do seu ego.
Sem embargo hoje muitos nominados cristãos denigrem a imagem do evangelho quando o associam a prêmios terrenos e passageiros, a visão edomita gerada em Esaú nada tem no evangelho da cruz, um prega a satisfação pessoal o outro prega a renúncia,um pode profanar-se na busca da satisfação do ego, o outro é puro, divino e é comprometido com as metas eternas.
O evangelho sendo bênção pode frustrar qualquer pessoa que que o abrace com o interesse voltado para os prêmios efêmeros desta vida, sem visar a eternidade.
O evangelho abençoa sim em proporções gigantescas, mas seu principal foco e objetivo é gerar arrependimento e salvação, beneficiando a alma antes do corpo, projetando os interesses espirituais antes dos físicos e materiais. Se algo está sendo pregado visando outras metas acima dessas, sem verdade e sem compromisso não é o genuíno evangelho de Cristo. É portanto gerado pelo ego e não por Deus,Deus nos quer em sua linha de raciocínio e visão, sem as nuanças do ego, pois Deus não tem ego, tem soberania.
A ambição material é perigosa e não pode associar-se ao evangelho porque gera ostentação, e esta contamina a essência de qualquer projeto que seja condutor da pureza divina, o evangelho no entanto gera a genuína humildade e ela nega em seu âmago a ostentação pessoal.
Apegue-se, creia, defenda e pregue o evangelho que combate o ego humano narcisista, e lucrativo e se preocupa em salvar e resguardar a alma do pecado, da morte e da condenação eterna.
Bênçãos são consequências naturais das promessas de Deus, das escolhas e fidelidade, e da obediência de quem verdadeiramente teme ao Senhor. Ele gera contentamento com as medidas de bênçãos materiais que Deus dá (Lc 3.14), (Fp 4.11), (1Tm 6.8).
As bênçãos materiais sem limite de medida e controle de valor podem deturpar e manchar a veracidade do evangelho. Não há ninguém mais atento ao que dizemos, ensinamos e fazemos que o diabo, ele manipula as ambições de forma tão eficaz que pode enganar facilmente um crente e levá-lo a usar o evangelho e sua poderosa influência para fins pessoais.
É preciso ser bom dispenseiro das bênçãos, pois elas podem no caminho de suas conquistas destruir a fé e a verdadeira vocação para as quais fomos chamados.
Paulo vivenciou esta maturidade tão sabiamente que fecha sua história com o evangelho, guardando em depósito unicamente a fé. Este é o projeto do evangelho, ele chega, convence, semeia, produz e abençoa, mantendo na trajetória a imaculação da fé até o seu fechamento.
A proclamação exagerada das bênçãos materiais não pode sufocar a fé, pois sendo esta sufocada perdemos terminantemente a noção de confiança e dependência de Deus.
Saiba, entre as nossas necessidades e a bondade de Deus, conspiram as promessas e as Bençãos , a fé as deposita fielmente em nossas mãos.
Se o evangelho que é pregado hoje nega a dor, o sofrimento e a renuncia, ele nega o calvário.
Não esqueçamos que o evangelho de Cristo tem dores, não é utopia, mas gera ânimo em meio as adversidades (Jo 16.33).
Quando dentro de uma igreja, denominação ou credo a inovação toma o lugar da doutrina bíblica e dos bons costumes gerados dela, a saúde do evangelho fica comprometida. Gera necessidade, logo euforia, e depois um profundo vazio que leva ao descontentamento. Quando foge-se da essência do evangelho o que se produz é sem raiz e superficial, logo sem longevidade e sem conteúdo.
Os prêmios do evangelho, não são exclusivos para a terra,aqui tudo passa e o evangelho é eterno, Deus guardará os maiores prêmios e galardão do evangelho para a eternidade (1Co 15.19), onde não haverá risco de contaminação da ferrugem da ambição humana.
Quando o evangelho é exposto em sua íntegra, não existe entre terra, céu e inferno poder maior para transformação e regeneração, por causa dele é que o inferno não prevalece contra a igreja. O diabo sabe disso, por isso se opõe tão veementemente ao evangelho e seu anúncio, tentando a todo custo maculá-lo e tem conseguido fazê-lo através daqueles interesseiros que nunca entenderam seu foco e objetivo.
O evangelho não visa ouro ou prata ou qualquer outro tesouro humano, pois já tem um tesouro particular, de extremo valor eterno: o sangue de Jesus (1 Pe 1.18,19)
A prosperidade do evangelho é o batismo em águas, a geração de novas criaturas, pois o fruto do evangelho é arrependimento, transformação, regeneração e novo nascimento.
A verdadeira prosperidade vem de Deus e não é vinculada necessariamente a bens materiais, e sim a ter com o poco uma boa administração que não gere desperdício nem atenda a vaidade. Ter a bênção de Deus é o ser próspero em sua essência. Pois ela não acrescenta dores, nem afãs desnecessários.
Devemos nos preocupar com a prosperidade da alma, crescendo em poder e no Espírito, pois bem nenhum falta aos que amam a Deus e vivem segundo seus decretos.
Que Deus nos leve a visão nítida do que é e do que prega e busca o Evangelho de Cristo como poder de Deus.
Judite Queiroz Araujo.

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