quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O motivo do jardineiro


Vislumbro um jardineiro agachado adubando cuidadosamente a terra úmida do jardim da minha alma, com graça, paciência, amor e dedicação.
Ele sabe que nada mereço, e que como terra nada tenho a oferecer, mas isso não detém suas mãos, elas trabalham, se gastam, sujam-se, misturam-se ao adubo, se vestem de terra, se doam, se entregam, e por fim, esperam....

Não entendo o que ele tem como motivo, para dedicar-se tanto a um solo árido como eu, 
mas apenas vislumbro a cada fim de tarde seu sorriso, contemplando primeiro a terra molhada que encuba a semente, e depois o broto rasgando em grande força a terra hidratada.  Quem sabe, me vem a mente, seu motivo seja simplesmente amor?  Sim amor é um bom motivo para se cultivar a alma, pois amor é tudo o que muitos podem ter, quando nada tem pra oferecer e nada para dar.
Vejo um leve e doce sorriso em seus lábios, depois de tempos, quando de minhas mãos recebe um pequeno ramalhete, e ele sabe, que a semente foi fiel ao propósito. Por isso em silêncio recebe o odor da minha gratidão, impregnando  dele também as rudes mãos  tão cientes do resultado; sabendo que estou ofertando das terras da minha alma, fielmente do que ele plantou.
Judite Araujo.

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