quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Rumo ao norte


RUMO AO NORTE!!!
Borram os céus raios benditos, já fraco deita o sol,
em seu manto multicor se esconde, cabisbaixo o arrebol.
Morre do dia a pupila, pois a noite chega correndo,
enquanto meu barco em meio as matizes, continua singrando e singrando.
minhas mãos calejadas no leme, beijadas de orvalho e luar,
mantêm a bússola no norte!
Cordéis fortes, panos ao vento, banho de prata num mar cobalto,
ondas revoltas, lampejos no céu, arremetem contra minha proa,
mas deslizo sutil na garoa, mantendo minha bússola no norte!
Vem o medo, vem a bruma, vem o frio,
são mortíferos! são funestos! necessários?
singro nas águas sem chão, mas vem também a fé acalentar-me
nas plegárias, livrando meu olhar dos vácuos temerários,
Aprumando minha bússola no norte!
Quem tem Deus por guia, neste mar profundo,
jamais navegará sozinho, pois das alturas descobri estasiada,
era Ele, nunca eu, eram as Dele, nunca as minhas, as mãos que dirigiam o barco
que guiavam o leme, a esperança que cantava, a fé que me aninava, a paz que me inundava,
eram Dele as mãos que constantemente equilibravam a bússola pro norte!
Obrigada mestre e amigo, pelas horas e dias que incansavelmente me és por capitão, neste barco vulnerável que é a vida, sempre dependente de reparos.
Perdoa as impertinências, as teimosias, as obstinações e melancolias,
deste imaturo coração marinheiro, que em busca do farol, as vezes, entrega-se a revelia, mas confia nas mãos que o guiam para o norte!
Judite Araujo.

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